Cerca de 95% dos adultos possuem o vírus do herpes zoster

Problema aparece quando há baixa imunológica e é tratado com antivirais

A vacina contra a catapora só começou a ser usada há cerca de 15 anos, e foi somente em 2013 que o Ministério da Saúde a incorporou no calendário de vacinação infantil. A consequência disso é que cerca de 95% dos adultos de hoje já tiveram catapora quando eram crianças, segundo um estudo publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.
 
Apesar de curadas da doença, essas pessoas nunca se livraram do vírus da catapora, o Varicela zoster. Depois que as lesões da pele saram, esse vírus fica armazenado em nossos linfonodos (gânglios de linfa próximos à coluna) da medula espinhal, que se prolongam até os nervos periféricos. Se nosso sistema imunológico sofre uma baixa grande, o vírus se manifesta novamente – dessa vez, não como catapora, mas como herpes zoster.
 
Essa segunda doença causa o popularmente conhecido “cobreiro”. “Quando nos curamos da catapora, o vírus segue por qualquer nervo da pele e fica alojado nos linfonodos. Quando a pessoa tem o herpes zoster, esse vírus faz o caminho contrário: sai dos linfonodos e percorre o nervo, manifestando as lesões na pele”, explica o imunologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).
 
Formam-se várias pequenas bolhas de líquido que se manifestam em somente um dos lados do corpo. Essas vesículas costumam vir acompanhadas de dor intensa nos nervos do lado acometido e outros sintomas, como febre e mal-estar.
 
Esses episódios agudos são tratados com antivirais e medicamentos para a dor durante os dias da crise. As lesões costumam permanecer por cerca de dez a 14 dias.
 
Complicações. Estudos epidemiológicos brasileiros indicam que cerca de 20% das pessoas que têm o Varicela zoster irão desenvolver o herpes zoster, e a doença é mais comum em pessoas com idades acima dos 60 anos. Dessas, um terço irá desenvolver o que os especialistas chamam de “neurite pós-herpética”.
 
“No caminho percorrido pelo vírus, o nervo fica inflamado. A dor persiste por meses e é de difícil tratamento. São necessários remédios fortes. É uma dor tão intensa, que chega a ser motivo de suicídio”, alerta o médico.
 
Outra complicação possível é que esse vírus percorra o caminho do nervo ocular. Nesse caso, a doença pode causar cegueira.
 
O herpes zoster é uma preocupação maior em pessoas imunossuprimidas, como os pacientes que passam por quimioterapia ou aqueles portadores do vírus da Aids.
 
Transmissão
 
Não se pega. O herpes zoster não é contagioso. O que se transmite é o vírus Varicela zoster. Se a pessoa nunca tiver tido catapora, irá pegar a doença. Se tiver tido, já é portadora do vírus.
 
Crianças
 
A vacina contra a catapora é administrada em dose única e deve ser aplicada nas crianças aos 15 meses de idade.
 
Vacina reduz em 60% as chances
 
A melhor forma de prevenir o herpes zoster é a vacinação. Há dois anos, a vacina contra a catapora – doença causada pelo mesmo vírus do zoster – já está disponível na rede pública de saúde e faz parte do calendário de vacinação infantil.
 
Mas, há cerca de um ano e meio, foi lançada no Brasil a vacina contra o herpes zoster, para idosos, que está disponível na rede particular de saúde. “Com a vacina, os riscos de ter um episódio agudo de herpes zoster diminuem 60%, e os riscos de uma neuralgia pós-herpética diminuem em 75%”, explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri. A sociedade recomenda a imunização contra a doença para os indivíduos acima de 60 anos, idade em que o risco de manifestar o zoster aumenta bastante.